|
Aguyje (a plenitude) é desfazer-se de si mesmo (a ilusão). Em
Yvyjuporã não existe eu pessoal, e quem entra em Yvyjuporã está de
posse da consciência plena de que só existe um Espírito vivendo no
universo, e vê também o Espírito de Tupã ete vivendo em todas as
coisas. Quando a pessoa está mergulhada na ilusão de que seu eu
existe realmente e de que é alguma essência destinada a ser eterna,
então ela pratica o mal, é injusta, egoísta e criminosa. Por isso,
todo mundo deveria fazer a Oguata, virar as costas para a ilusão de
si mesmo e entrar conscientemente em Nhandejara.
Quando enxergamos o Espírito de Tupã vivendo em todas as formas de
vida, então sabemos que as pessoas enganadas e iludidas consigo
mesmas são almas penadas sofrendo neste mar de
sonhos do planeta Terra. Quem pensa que é alguma coisa, esse
terá um triste fim, e sua herança é a morte e o sofrimento; mas
aquele que descobre que não passa de um nome que lhe deram e de um
mero egoísmo que lhe faz ver a si mesmo como alguma essência
importante, desfazendo-se dessa mentira, logo fica consciente,
une-se ao Espírito e desperta a mente para ver que só existe um Ser
vivente no universo todo, cujo Ser vivente é Tupã. Foi assim que
ijaguyjevy, nossos antepassados, viveram, e entraram em Yvyjuporã, a
Terra Perfeita, a Mente Divina de Nhanderu.
Assim é a vida, e aí daquele que se revoltar contra isso e desejar
ser o que não é! Caminhar para o bem e iluminado por Tupã é parar de
viver para si mesmo porque o si mesmo é uma ilusão inventada. A
pessoa consciente, e cuja vida é uma Oguata, medita a todo momento
neste mantra: Eu não existo; quem existe é Nhandejara. E a maldade
do mundo nasce da ilusão de pensarmos que existimos (desconhecendo
que é Nhandejara quem vive nossa vida e todas as outras vidas, seja
de pessoas, seja de plantas, seja de animais da floresta), e, então,
queremos viver com egoísmo essa ilusão de que nossa personalidade é
alguma essência eterna. |
|