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O
Indianismo propõe a busca de
Yvyjuporã, que é a Terra sem Males,
onde a pessoa, pela psicometástase,
alcança a imortalidade, tornando-se Deus e
desfazendo-se de seu ego individual. Nesta
existência só existe um comportamento verdadeiro
(o rekó etê) para a pessoa
alcançar a imortalidade da alma: trata-se do
Kandire, a busca da
imortalidade pelo abandono da ilusória
identidade si mesmo (maya) para
buscar a identidade real de Nhanderu
(Deus) e tornar-se unificado com Ele. Entre a
existência finita das pessoas nesta yvy
mbaemegua (terra má) e a vida sem fim
desfrutada pelos seres divinos (seres que vivem
na Mente de Deus conscientes de que realmente
estão na Mente de Deus) na yvy maraey
(terra sem mal), não existe outra separação a
não ser a falta de consciência da unidade
onipresente de Tupã. É possível
migrar de uma à outra consciência sem passar
pela morte física; ou, como ensinaram nossos
antepassados (nhanderykey,
nossos irmãos mais antigos), sem passar pela
prova da morte: oñemokandire.
Essa expressão indígena significa chegar à Terra
Sem Males (yvyjuporã) ainda
ocupando um corpo físico. Ou seja, a pessoa se
ilumina e se torna divina sem contudo deixar de
ser gente normal. Trata-se da iluminação da
consciência, a psicometástase,
onde a mente da pessoa passa por um processo de
evolução e se reconhece como unificada com a
Mente Divina ou Universal, verificando que sua
individualidade não é mais a de uma pessoa, mas
a individualidade de um ser infinitamente mais
elevado. Ela troca a sua identidade pessoal pela
identidade de Nhanderu, reconhecendo e
constatando que o Ser que criou o universo é o
mesmo que vive em todas as formas. O conceito de
Terra Sem Males ou Yvijuporã é entendido pelo
indianismo como a Mente Divina de
Nhanderu onde o universo foi criado e
está sendo desenvolvido. Entender a questão do
espaço real onde está criado o universo é muito
importante. O universo está num espaço mental e
não num espaço físico. Não existe um espaço
físico. O que existe é um espaço mental.
Nhanderu está pensando no universo. Então o
universo existe só no seu pensamento e na sua
mente. Portanto, a questão do espaço onde
vivemos trata-se da Mente de Nhanderu.
Estamos vivendo verdadeiramente a existência
divina e não uma suposta e falsa existência
terrena e material. O conceito de
Kandire traduz a possibilidade de
alguém continuar vivo e ao mesmo tempo tornar-se
imortal pela fusão de sua consciência com a
consciência divina, através da meditação no rekó
etê (modo de ser verdadeiro) e da realização da
verdade de que estamos dentro da mente divina de
Nhanderu e não na Terra. Chegar ao
Kandire ou à imortalidade implica na
busca de Yvyjuporã, a Terra Sem
Males, e na compreensão correta de que esta
existência é uma existência só de Nhanderu, que
só Ele vive em tudo e que está acontecendo
dentro da mente de Nhanderu. Essa promessa do
Kandire que nos foi dada (aos
índios) através de nhanderykey
(nossos irmãos mais antigos), é uma promessa
somente alcançada por meio de um esforço que, em
dois sentidos, implica o abandono de si mesmo
como identidade verdadeira e uma busca
incessante da identidade de Nhanderu como única
presença viva em todo o universo. Essa
consciência gera a imortalidade da alma. Isto
caracteriza o que o Indianismo chama de oguata
ou oguata porã ou oguata sagrada. Oguata
é a caminhada em busca de yvyjuporã. Em outro
sentido, ter atitudes nobres condizentes com a
realização de yvyjuporã em sua
própria mente individual é o que mais nos
aproxima da oguata. Em suma, trata-se da
psicometástase ou de um método mental de se
chegar a ela. O homem está sempre em busca de
tornar-se outro (Nhanderu), tornar-se Deus. Nós
só existimos na forma de um movimento constante
na busca de sermos onipresentes através da
descoberta de que Tupã está em tudo e de que
tudo é Tupã. A consciência
pessoal não passa de uma ilusão. A idéia de que
existimos como pessoa é falsa: quem existe em
nós é Nhanderu e o rekó etê é não roubar de
Nhanderu o que lhe pertence: a sua existência em
nós. Afirmar que existimos e que somos um nome e
algumas preferências, é mentira. Não estamos
fora de Nhanderu, mas dentro da mente dele. Para
o Indianismo, não existe outro
espaço nem outro lugar onde possamos existir.
Somos seres que só existem sob a forma de puro
pensamento e puro movimento dentro da Mente
Divina. Somos um vir-a-ser (a evolução), um
tornar-se outro (a Mente de Nhanderu é o outro)
e vamos em direção a isso nesse movimento
contínuo que somos, e o nosso destino é
tornar-se esse outro (só Nhanderu existe),
tornar-se Nhanderu e desaparecer como ego, como
eu individual. Voltamos a enfatizar que não
existe lado de fora, estamos todos dentro do
Espírito de Nhanderu, dentro da Mente de Tupã, e
a idéia de um mundo material é ilusão, pois não
existe nenhum lado de fora, e tudo é o lado de
dentro de Nhandejara, onde existimos, e o lado
de dentro de Nhandejara é a
Terra sem Males. Não adianta buscar na
vida material essa Terra Sem Males do
Indianismo pois não há possibilidade de sua
existência na sociedade terrena corruptível e
imperfeita onde vivemos na ilusão de que
ocupamos um espaço físico e material. O
Indianismo, porém, ensina que o kandire
(a imortalidade) é possível através do nhande
rekó dos antigos nhanderykeys
(nossos primeiros irmãos) e aqui mesmo nesta
existência terrena atingiríamos yvyjuporã, a
Terra Sem Males, sem passarmos pela prova da
morte física. Seria alcançar a imortalidade
ainda existindo nessa vida. É a psicometástase! |
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