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O indianismo é uma
proposta filosófica de caminho ético-espiritual que consiste em duas
posições: a primeira é a prática da oguata, que é caminhar na vida
em busca do bem, do bom, da paz, da evolução; a segunda é a prática
do reko etê (costume verdadeiro), e este significa fazer a
oguata. O reko etê e a oguata são praticamente a
mesma coisa: o reko etê é a oguata e a oguata é o
reko etê. Sendo que, tradicionalmente, Nhandejara (Deus)
recomendou a oguata aos índios e os mais antigos sempre
ensinaram que a oguata é o costume verdadeiro. Afastar-se da
oguata, deixar de caminhar para o bem e em busca do bem, não é
o costume verdadeiro. Não é preciso viver como índio, morar na
floresta, caçar e pescar, para ter o costume verdadeiro. A oguata
é caminhar para o bem e em busca do bem, e podemos fazer isso em
qualquer parte do mundo.
O Indianismo
propõe também a busca de Yvyjuporã, que é a
idealização da Terra sem
Males. Sabemos que através do desenvolvimento da consciência
visual a pessoa enxerga, física e nitidamente, a substância absoluta
e identifica que ela é a existência de tudo o que vive.
Consequentemente, alcança
a consciência da imortalidade, tornando-se a substância e desfazendo-se de seu ego
individual. Em suma, a pessoa descobre o que realmente é. Nesta existência só existe um comportamento verdadeiro
(o rekó etê) para a pessoa alcançar a imortalidade
da alma: trata-se do Kandire, a busca da
imortalidade pelo abandono da ilusória identidade si mesmo (maya)
para buscar a identidade real de Nhanderu (a
substância) e
tornar-se unificado com Ele. Entre a existência finita das pessoas
nesta yvy mbaemegua (terra má) e a vida sem fim
desfrutada pelos seres divinos (seres que vivem na substância
conscientes de que realmente estão na imersos na substância) na yvy
maraey (terra sem mal), não existe outra separação a não
ser a falta de consciência da unidade onipresente de Tupã.
É possível migrar de uma à outra consciência sem passar pela morte
física; ou, como ensinaram nossos antepassados (nhanderykey,
nossos irmãos mais antigos), sem passar pela prova da morte:
oñemokandire. Essa expressão indígena significa chegar à
Terra Sem Males (yvyjuporã) ainda ocupando um corpo
físico. Ou seja, a pessoa se ilumina e se torna divina sem contudo
deixar de ser gente normal. Trata-se da iluminação da consciência, onde a mente da pessoa passa por um
processo de evolução, viaja além da cultura
e se reconhece como unificada com a substância que é a matriz da
diversidade da vida, verificando que sua individualidade não é mais
a de uma pessoa, mas a individualidade de uma substância infinitamente
universalizada. Ela troca a
sua identidade pessoal pela identidade de Nhanderu, reconhecendo e
constatando que o Ser que criou o universo é o mesmo que vive em
todas as formas. |
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